Na madrugada de 17 de abril de 2025, aproximadamente 100 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam uma área localizada no Assentamento Taboca, na região de Monte do Carmo, Tocantins. A ação visa denunciar a grilagem de terras públicas pelo agronegócio e cobrar a efetivação da reforma agrária na região.
Contexto da Ocupação
O Assentamento Taboca foi criado em 2005 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) como parte do Projeto de Assentamento (PA) Taboca. No entanto, segundo o MST, a área, especialmente o Lote 14, tem sido alvo de grilagem por parte de fazendeiros que exploram ilegalmente a terra para o cultivo de soja transgênica, desrespeitando a função social da terra e os direitos das famílias assentadas.
Em outubro de 2023, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou o Procedimento Administrativo nº 1.36.000.000671/2023-67 para monitorar a atuação do INCRA na destinação do Lote 14. As diligências resultaram no cancelamento do título e da matrícula da área que estava em sobreposição ao imóvel rural, reconhecendo a irregularidade fundiária.
Denúncia de Violência e Despejo
Apenas 24 horas após a ocupação, na noite de 18 de abril, as famílias foram alvo de uma operação de despejo conduzida pela Polícia Militar do Tocantins, com apoio de fazendeiros e pistoleiros armados. Segundo o MST, a ação foi realizada sem mandado judicial, resultando na destruição de pertences, ameaças a crianças e na detenção arbitrária de 23 pessoas.
Reivindicações do MST
O MST exige a destinação imediata da Fazenda Santa Ádyla, uma área de 1.225 hectares de terras públicas da União, atualmente grilada e explorada ilegalmente com o cultivo de soja transgênica. O movimento denuncia que a presença de grandes fazendeiros na região representa um ataque direto à função social da terra e uma violação ao direito de centenas de famílias camponesas que ainda lutam por acesso à terra.
Situação Atual
As famílias continuam mobilizadas, exigindo a regularização fundiária e a implementação efetiva da reforma agrária na região. O MST reafirma sua pauta histórica de enfrentamento à grilagem de terras públicas, ao avanço do agronegócio e à destruição ambiental, destacando a urgência de uma política efetiva de reforma agrária e da destinação dessas terras para quem realmente precisa e produz de forma sustentável.

